Tuesday, August 10, 2004

ENTREVISTA!



Idolatrado no Milan, Kaká também tem seu lado tiete

Kaká: ídolo e fã ao mesmo tempo
Brasileiro mostra toda sua devoção a Ronaldo, se diz fiel ao Milan e à namorada e alfineta a torcida do São Paulo
Arnaldo Ribeiro, da Agência Placar

SÃO PAULO - Eterno xodó da torcida (principalmente a ala feminina) do São Paulo, grande ídolo do Milan e titular absoluto da Seleção Brasileira. Ao brasileiro Kaká, só resta ser reconhecido pela Fifa como melhor jogador do mundo. Apesar de todo sucesso, ele faz questão de deixar bem claro quem é o dono do futebol mundial. Em entrevista à Agência Placar, ele não poupa elogios a Ronaldo, fala bem do Real Madrid e revela sua mágoa com a torcida do São Paulo.

Numa enquete da Gazzetta dello Sport, você foi eleito o principal jogador do Milan na conquista do scudetto. Por outro lado, o Totti, que foi vice-campeão, e o Baggio, que atuou pelo modesto Brescia, ficaram na sua frente segundo as notas do jornal. Quem jogou mais: você ou eles? O Totti e o Baggio foram “protegidos” por serem italianos?
Kaká - Fiquei feliz com a escolha feita pela enquete e acredito que todo o time do Milan foi muito importante para o título. Respeito todas as opiniões e não poderia ficar chateado em estar, para algumas pessoas, atrás de jogadores tão talentosos como Totti e Baggio.

O Boriello, um dos seus melhores amigos no Milan, está para ser vendido porque outro atacante deve chegar. Corradi, Gilardino e Luíss Fabiano são os mais cotados. Você está torcendo ou “fazendo campanha” pelo Luís Fabiano? Afinal de contas, hoje, sua opinião deve contar muito em Milão. Ou não?
Kaká - Não que esteja fazendo campanha, pois quem vier será bem recebido e será importante para o Milan na próxima temporada. Só não escondo minha admiração pelo futebol do Luís Fabiano, que já provou ser um dos melhores atacantes em atividade no mundo.

Apesar do sucesso, você viveu um duro golpe no Milan ao sofrer a goleada por 4 x 0 para o La Coruña, quando o time podia até perder por três para se classificar na Liga dos Campeões. Uma derrota dessas, em um time brasileiro, teria graves conseqüências, como demissões e críticas duras por parte da torcida, sem falar em agressões. Como foi viver “o outro lado” por aí? Kaká - Fiquei surpreso depois desse jogo com o apoio que recebemos da torcida. Realmente fiquei chateado, pois gostaria muito de ganhar a Liga dos Campeões, mas terei muito tempo para isso. Derrotas acontecem no futebol e isso é que faz o esporte ser tão apaixonante assim. Chegamos no aeroporto e os torcedores que estavam ali diziam para a gente ter força que ganharíamos o Campeonato Italiano. Foi fantástico.

Você concorda com a análise de que o Real Madrid tem mais craques e o Milan é uma equipe mais sólida? Qual dos dois é mais forte?
Kaká - O Real Madrid tem um grande time e conta com o melhor jogador do mundo, que é o Ronaldo. Eles não ganharam títulos nessa temporada, mas isso acontece no futebol. Nós também temos um grande time. Quem sabe todos não possam ver esse confronto tão esperado na próxima temporada...

Qual jogador que você já enfrentou ou teve como companheiro de time mais te impressionou até hoje? Por quê? Kaká - Ronaldo, como já disse, é o melhor do mundo. Ele é realmente um fenômeno e foi sem dúvida o companheiro de time que mais me chamou a atenção.

No que os treinos feitos pelos clubes europeus levam vantagem sobre os treinos no Brasil? É verdade que na Itália se treina menos que no Brasil?
Kaká - Os treinos no Milan são puxados e a estrutura para treinamento é formidável. Não posso falar pelos outros times, mas aqui treinamos tão forte como no Brasil. No Brasil, você treina mais tempo, numa intensidade menor. Na Itália, menos tempo, mas com muito mais intensidade.

Você chuta com precisão, tem uma arrancada fortíssima, dribla bem e conta com boa visão de jogo. Sua cabeçada, porém, deixa a desejar e você não é exatamente um “pegador” no meio-campo. O que a versão-2005 do Kaká será melhor que a atual?
Kaká - Estarei mais maduro e ainda mais adaptado ao futebol europeu. Procuro sempre treinar meus pontos fracos e espero estar cada vez mais bem preparado para os torneios que disputarei em 2004-2005. Lançamento e cabeceio são detalhes que preciso melhorar.

Sinceramente, você acha que tem chance de ser apontado o melhor do mundo ainda este ano ou a coisa está mais para seu colega Ronaldinho Gaúcho?
Kaká - Fiz uma boa temporada, mas não podemos esquecer que esse ano tem Eurocopa. E quem for bem lá será um grande candidato ao título de melhor jogador. Vamos ver. Se não for esse ano, terei muito tempo ainda para ganhar esse prêmio.

O Júlio Baptista virou rei na Espanha. O Belletti continua na Seleção e vai para o Barcelona. Você conquistou Milão. Kaká, por que é tão difícil jogar no São Paulo? O que o Luís Fabiano tem que vocês não têm?
Kaká - Todos os citados fizeram sucesso no São Paulo. Nós recebemos críticas de parte dos torcedores, que não se conformaram com perdas de títulos e também com nossas transferências. Espero que eles tenham aprendido com esses exemplos e não façam o mesmo com o Luís Fabiano, que, como nós, é destaque, mas ainda não ganhou um título de expressão. Espero que isso possa acontecer na Libertadores. Cobrança é normal em qualquer clube grande, mas temos que saber separar o que é torcedor e o que é agitador.

Por que você desistiu de ter um representante-empresário como era o Wagner Ribeiro? O seu pai passou a tomar conta de tudo sozinho? Não pede ajuda pra ninguém?
Kaká - Meu pai estava preparado para assumir a minha carreira e assim foi feito. Ele tem uma estrutura que o apóia na parte desportiva e no marketing. Tenho um assessor de imprensa que nos apóia no relacionamento com a mídia. Estou satisfeito assim e confio que tenho uma estrutura sólida para pensar apenas em jogar futebol.

Aliás, o São Paulo disse que não deu um centavo sequer a Ribeiro pela transação com o Milan. Você deu alguma porcentagem para ele?
Kaká - Não preciso falar sobre isso. Detalhes da negociação, cabem só às pessoas envolvidas.

Como é namorar à distância? Mais ainda: como é ser fiel à distância? Com que freqüência você e a Caroline se encontram? Não é muita tentação viver num lugar cheio de mulheres bonitas, como na Itália? Tem casamento à vista?
Kaká - Ser fiel é uma qualidade que independe da distância. Há pessoas infiéis que dividem o mesmo teto todos os dias. Gosto muito da Caroline e nosso namoro vai muito bem. Quanto a casamento, ainda não pensamos sobre isso.

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